Dia 22 - Castelo de Almourol, Barragem de Castelo do Bode, Convento de Cristo e Santarém

Saímos em direção ao norte, pra conhecer o Castelo de Almourol, que fica, mais ou menos, a uma hora e meia daqui. Leandro viu na previsão que pegaríamos 34 graus. Quente pras temperaturas que a gente pega por aqui, mas tranquilo. Quando a gente chegou lá parecia que tava fazendo uns 50 graus! Um sol fortíssimo e a gente sem suar. Muito seco. Nos lembrou o Mato Grosso do Sul, onde meu pai mora.

O Castelo é interessante porque ele fica tipo numa ilha de pedras, no meio do Tejo. Mas quando chegamos lá, não foi exatamente isso que vimos. O rio estava muito baixo e em algumas partes realmente seco. Dava pra chegar no Castelo a pé, se quiséssemos e não fosse proibido. Eu tenho um nervoso de rio seco, que chega a apertar o meu coração. Parece que nessa época, que não chove, o rio fica mais baixinho mesmo, mas, pesquisando, achei um pessoal alegando que a Espanha, onde o rio nasce, anda armazenando mais água do que deveria...

Não deu pra ficar muito tempo lá tirando fotos do Castelo, então decidimos seguir nossa viagem. Saindo da cidade, porém, encontramos um restaurante e resolvemos ficar por lá mesmo. No Restaurante Almourol, nos refrescamos e comemos deliciosamente. Leandro, que já anda enjoado dos peixinhos, foi de filé com molho de natas e cogumelos e eu comi camarão. Experimentamos miga de novo, mas dessa vez feita de outro jeito, com couve, e gostamos.

Fomos conhecer a tal Barragem do Castelo do Bode, onde provavelmente existia um castelo, além de muitos bodezinhos, antes da inundação da área, pelo rio Zêreres. A reserva serve pra abastecer Lisboa, gerar energia elétrica, evitar a cheia e pro povo se divertir pescando e andando de jet ski. É bonito, mas, mais uma vez, o calor me impediu de ficar lá por mais de 10 minutos. Num batia um ventinho! E eu não tô acostumada com isso por aqui. Passar calor eu passo no Rio mesmo.

Fomos então visitar o Convento de Cristo, que fica dentro do Castelo de Tomar. Foi fundado em 1160 (!) pela Ordem dos Templários (que depois meio que se tornou a Ordem de Cristo, ambas "criadas" para proteger Portugal e seu cristianismo dos muçulmanos) e lá dentro você ainda encontra um monte de referências aos monges cavaleiros, apesar de todas as obras e reformas pelas quais o local passou. O núcleo do mosteiro é a Charola, o oratório dos templários e é lindíssimo, com pinturas e decoração bizantina. A arquitetura do lugar, no fim, virou um samba do crioulo doido com traços românticos, góticos, manuelinos, renascentistas e barrocos. O convento é muito grande e em cada cantinho parece que você tá mesmo em outro monumento. A quantidade de verde em volta deixa tudo ainda mais bonito. Amei! Ah, ainda tem um detalhe gastronômico: experimentei um dos melhores doces que já provei na vida. Beijinho de Freira. É tipo um bolinho levinho, feito de ovos, recheado com chuvisco. Delícia!

No caminho de volta ainda passamos em Santarém, mesmo sabendo que tudo já estaria fechado, mas como ainda estava dia claro... A cidade é bem bonitinha e a gente foi só observando as ruelas com o objetivo de achar a Igreja do Antigo Convento da Graça, lugar onde está enterrado Pedro Álvares Cabral (espero que eu não tenha que te explicar quem é ele). Essa igreja é uma das mais características do estilo gótico português.

Segundo Leandro, esse dia foi muito produtivo, porque fizemos tudo que ele tinha planejado, e mais um pouco. Metódico? Ele? Não, que isso!