Dia 59 - Almoço de trabalho (do Lê), o Brasil no MUDE e Sol e Pesca

Fui almoçar com o Lê e os amigos de trabalho. Sinto uma alegria profunda em poder participar da conversa sem precisar que eles repitam todas as frases de forma mais devagar. O almoço foi ótimo, como todos os encontros que tivemos com eles. Fomos numa pizzaria, que foi o único lugar que conseguia abrigar tanta gente junta. Acho que pizza é o tipo de comida que é gostosa em qualquer lugar do mundo, né?

De tarde, Leandro foi pra casa terminar de arrumar as coisas dele e eu corri pro MUDE e fiquei lá até ser expulsa pelo segurança. Por conta do ano do Brasil em Portugal, lá foram organizadas 2 exposições  em referência ao Brasil. Sobre a primeira delas já tinha ouvido falar bastante bem e queria ver de perto. O nome é Personagens e Fronteiras: Território Cenográfico Brasileiro e eu recomendo muitíssimo pra quem tiver oportunidade de ver. Ela mostra, através de fotos, maquetes e instalações, os detalhes e figurinos de cenários feitos para produções brasileiras. Foi muito difícil deixar de ficar ali, admirando aquelas cores e ideias, lembrando de filmes e séries dos quais gosto muito e anotando as peças que ainda tenho que assistir. Fiquei encantada.

Mas segui para outra exposição, que também muito me interessava: Design Brasileiro - Mobiliário Moderno e Contemporâneo. Cadeiras, mesas, luminárias e pessoas muito talentosas por trás disso tudo. No final um filminho com depoimentos de todos os designers participantes explicando algumas de suas obras. Amei. Vi duas vezes e só fui embora porque fui obrigada.

Voltei pra casa, mas não sem antes dar uma paradinha pela H&M para me despedir.

No início da noite começou a chover muito e o Leandro pensou em pedirmos comida. Eu não queria de jeito nenhum, mas concordei. Era nossa última noite em Lisboa, uma cidade cheia dos mais deliciosos restaurantes e eu ia comer algo requentado? Não tava nem um pouco satisfeita, mas chovia muito e eu não tava vendo outra saída. Fiz tanto bico que a chuva parou e o Lê não conseguiu ligar pro lugar que ele queria.

Graças a Deus isso aconteceu e nós pudermos conhecer o Sol e Pesca, que fica no Cais do Sodré, pertinho de onde estávamos. Esse lugar é super conhecido e frequentado pelos próprios lisboetas e eu tava cheia de curiosidade pra conhecê-lo. A história dele é basicamente a seguinte: era uma antiga loja que vendia materiais para pescaria, que acabou fechando e foi quando uma pessoa visionária pensou em abrir um bar no mesmo lugar, onde só seriam servidos enlatados. Um beijo pra esse cara!

O lugar é escuro, as mesinhas e cadeiras são apropriadas para crianças com cerca de 5 anos e no cardápio constam apenas sardinhas, atuns e afins, mas você também pode escolher através da beleza das latinhas que ficam dispostas numa espécie de cristaleira, que já era da loja. Pronto. Ganhou meu coração! Pedi sardinha e o Lê atum. Tudo vem servido com um fio de azeite, pedacinho de limão e torradinhas. É isso, gente. Sabe simples e perfeito? Depois eu pedi mais uma sardinha e o Lê o presunto de atum, recomendadíssimo pelo carinha que nos atendeu, que, aliás, era extremamente atencioso e simpático, características das quais sinto falta no atendimento tanto brasileiro quanto português. Acontece que o Leandro não apreciou a tal recomendação e eu tratei de resolver esse problema. Obrigada, moço, pela indicação. Eu nunca vou me esquecer dessa iguaria.

Último dia inteiro mais que perfeito. Uma pena ter sido o último.